Despertou-me a curiosidade esta exposição dedicada à obra de dois artistas distanciados por mais de um século. Qual o sentido de uma exposição coletiva? A resposta veio ao visitar a exposição Paródias que inaugurou ontem, na casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. Ambos os artistas usam a produção artística, sobretudo a gráfica, como meio privilegiado de crítica sócio-política. Ao observar as obras expostas é evidente a existência de um diálogo entre as obras de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e Paula Rego (1935) que transmitem, a partir de uma observação atenta do quotidiano, uma visão crítica da vida e dos costumes portugueses na época em que se inserem, apesar da distância cronológica que os separa. Tanto em Bordalo Pinheiro, como em Paula Rego, a ópera e o teatro são dimensões artísticas frequentemente convocadas por ambos, sendo a vida e o palco objeto de dinâmicas trágico-cómicas entre personagens humanas animalizadas e animais humanizados. Os animais ...