Há o vizinho bisbilhoteiro e o vizinho que nunca vejo. Há o vizinho que cumprimento com um beijo. Há o vizinho que me entrega o pijama. Há histórias que nunca conto nem lamento. Há o marido que fantasia com a vizinha de cima e a vizinha que grita com a mãe nas escadas. Há vidas em sobressalto no prédio que habito. O elevador avariado e o vizinho dentro, trancado! Ela, pronta, o batom retocava. Na cozinha, a comida fumegava e o cheirinho adocicado a baunilha misturava-se com o aroma das velas que perfumavam a casa. 21h. A campainha tocou. Abriu a porta e ele entrou. Sorri, com aquele sorriso tão dele que ela bem conhecia e lhe escondia o olhar cansado que tinha trazido de África. No prédio ao lado o vizinho desesperava, enquanto aguardava que o libertassem do quadrado escuro, no qual há horas sem fim, se encontrava. Roupa amarrotada, envolvido em profundos pensamentos, raciocinava um forma de justificar a perda do voo, à equipa que em Maputo o esperava. Havia v...