Avançar para o conteúdo principal

UM LIVRO.

   Um café. Música. Vista de Mar. ... e Sol numa fria manhã de domingo. Um livro que desde há muito aguardava. 
   Já choveu lá fora, revelam as gotas na janela. 
   Leio. 
      

   - Será que uma rapariga do palácio consegue guardar um segredo? - perguntou-me uma vez.
   - Claro que consegue - disse-lhe.
   - Há mais coisas neste palácio, Varvara, do que o guarda-roupa imperial.
    Acenei com a cabeça em sinal de concordância.
    - E há histórias mais interesantes. só que é preciso saberes pora onde olhar.
    O chanceler da Rússia pousou a mão sobre a minha. 
   Baixei os olhos, cravando-os nas fivelas de prata dos seus sapatos. eram quadradas e estavam incrustadas de pedras preciosas.
    
    Escutei-o.
  Falou-me de pessoas ímpias que conspiravam contra a nossa imperatriz, que enão hesitariam em conspirar contra ela. Astuciosas e perspicazes, sabiam ocultar os seus pensamentos, de os disfarçar com falsas declarações de amizade e de lealdade.
   Estavam por todo o lado, mas escondiam-se. a imperatriz precisava de saber quem eram e qual o mal que tentavam fazer.
  Não havia qualquer traço de riso na sua voz. Os seus olhos mantiveram-se cravados em mim, enquanto falava.
   Os justos deviam ser recompensados e os maus, punidos. Havia que separar o trigo do joio. O meu pai levara-me ao palácio imperial por uma razão. confiara na sua imperatriz. A sua filha podia aprender a tornar-se mais importante ndo que alguma vez julgara ser possível - podia tornar-se os olhos e ouvidos da imperatriz.
   A sua informadora.
   A sua gazeta. 
   A contadora das histórias mais importantes.
   - Alguém em quem a imperatriz possa acreditar Varvara - disse o chanceler. - E alguém em quem confie também. 
   Então, eu tinha dezasseis anos. Ainda acreditava na fantasia daqueles que não têm poder - que os governantes poderiam governar de uma forma diferente, se tivessem conhecimento do que lhe era ocultado. Acreditava na história eterna contada por narrativas pungentes segundo as quais os reis ou rainhas, sultões ou imperaqdores mudavam a sua maneira de agir, depois de conhecerem as alegrias e tristezas do homem comum.

in, Palácio de Inverno, Eva Stachniak, Ed. Casa das Letras, 2014 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

O golpe de estado militar do dia 25 de Abril de 1974 derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo, que cederam perante a revolta das forças armadas. Este levantamento é conhecido por Dia D, 25 de Abril ou Revolução dos Cravos. O levantamento foi conduzido pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução). Movimentações militares durante a Revolução No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa. Às 22h 55m é transmitida a canção ”E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos

WALL PAPER

apenas um apontamento... enquanto o projeto de remodelação pacientemente aguarda dias melhores e ... rápida convalescença das meninas cá de casa !!!!! Foto : reprodução

UMA PAUSA

para degustar uma excelente tosta de salmão!