Avançar para o conteúdo principal

BIQUINI e bomba atómica

A criação do biquíni é disputada por dois estilistas franceses: primeiro, Jacques Heim apresentou o "átomo" como "o menor maiô do mundo"; em seguida, Louis Réard mostrou o "bikini, menor que o menor maiô do mundo" e ficou com a fama do criador da peça.

O biquíni é a invenção mais importante deste século (20), depois da bomba atômica.
Diana Vreeland (1903-1989).
Não fazia ideia mas na realidade a invenção do biquini está relacionada com a bomba atómica. O nome biquíni deriva do  atol Bikini, um atol do Pacifico onde se deu, em 5 de Julho de 1946 uma explosão atómica experimental que dividiu o atol em duas partes. Para que os médicos americanos pudessem examinar as pessoas, que estavam completamente nuas, já que a radiação havia destruído suas roupas, os militares usaram folhas de exemplares velhos do jornal The New York Times para cobrir pelo menos as partes íntimas dos doentes, e a este acontecimento remonta a invenção do biquini. Assim, pretendia-se propor que a mulher de biquíni provocava, na época, o efeito de uma bomba atômica". Em França, o termo é marca registada.

Mas no início mulheres não estavam preparadas para usar peças de vestuário tão reduzidas, que mostravam o umbigo e foi proibido em vários países incluindo Portugal.

No entanto actrizes como Ava Gardner, Ursula Andress e Brigitte Bardot foram contra todos os preconceitos da época aderindo ao biquíni, como instrumento de sedução em filmes e em fotos.
Ava Gardner

ANOS 50
O sucesso do biquíni começou na década de 50, quando a atriz francesa Brigitte Bardot apareceu no filme E Deus Criou a Mulher (1956) com um modelo xadrez com babados e conquistou o imaginário masculino.

Na mesma época, a novidade chegou ao Brasil e encantou primeiro as vedetes, como Carmem Verônica e Norma Tamar, e, mais tarde, a maioria das banhistas do país. 

As atrizes hollywoodianas e as pin-ups americanas foram as maiores divulgadoras do biquíni. Ao longo da década de 1950, as resistências conservadoras foram paulatinamente vencidas até que a peça se tornou um hit no mundo inteiro no início dos anos 1960.


ANOS 60

Na década de 60, a peça ganhou atenção especial ao aparecer na atriz Ursula Andress em cena de 007 Contra o Satânico Dr. No (1962).  Úrsula Andress teve um papel importantíssimo para a história do biquíni. No filme 007 Contra o Satânico Dr. No (1962), a atriz sai do mar vestindo um modelo que ficaria marcado na memória do cinema – tanto que, quarenta anos mais tarde, a atriz Halle Berry, em uma nova versão de Bond Girl, faria uma cena no filme 007 - Um novo dia para morrer (2002) com um modelo nitidamente inspirado no de Andress. Trata-se de uma releitura de um dos momentos mais sexy para os fãs das aventuras do agente secreto.


Ursula Andress no filme no James Bond, “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962)

Ao flertar com o cinema, o biquíni foi conquistando mais adeptos ao redor do mundo. A peça, antes censurada pelos conservadores, era desfilada agora por atrizes glamourosas. Na trilha desbravada pelo cinema, o biquíni invadiu praias mundo afora. Assim nos anos 60 o biquíni atingiu o auge de popularidade. Era muitas vezes usado como adorno em filmes e músicas, e como contestação política e social. Tornou-se um símbolo pop.

Em 1964, o designer norte-americano Rudi Gernreich ousou ainda mais e criou o topless, versão que abolia a parte de cima do biquini - a tentativa não conquistou as brasileiras, mas conseguiu fãs em praias da Europa. Já o modelo 'engana-mamãe', que de frente parece um maiô, com uma espécie de tira no meio ligando as duas peças, foi sensação em todo mundo.


ANOS 70
No ínicio dos anos 70 foi criada a tanga no Rio de Janeiro. Feita cada vez com menos tecido, a tanga brasileira popularizou de vez o biquíni e é usada até hoje.  A modelo Rose Di Primo é a inventora da peça. A ideia surgiu na praia, unindo dois microtriângulos de tecido em um algodão. A partir desse momento apareceram modelos ainda menores.
Versão mais moderna do biquini artesanal que foi febre nos anos 70


ANOS 80
Ainda nos anos 80, o que parecia impossível aconteceu: o biquíni diminuiu para surgir o sensual fio-dental. Nesta década mais modelos invadiram as praias e as piscinas, como o enroladinho, o asa-delta , o de lacinhos e o de sutiã cortininha. Neste período a criatividade estava em alta. Modelos em crochês, balangandãs, cortininha, com lacinho na lateral, cores cítricas e o modelo sunquíni compunham os biquinis da época. 

No Rio de Janeiro tornaram-se populares os famosos biquínis "fio dental"e "azadelta".


ANOS 90

Durante esta década o modelo retrô estava em alta, combinado com modelos mais românticos e comportados. No entanto, em 1993, Karl Lagerfeld apresentou Naomi Campbell em uma tanga provocativa em um desfile para a Chanel em Paris, em 1993
Tempos depois, a top inglesa passou a desfilar diversas vezes para a grife Rosa chá, incluindo visitas às semanas da moda brasileiras.

 Naomi Campbell desfila para Rosa Chá na Mercedes-Benz Fashion Week, em 2002

Em 2005, ela posou para a coleção Naomi Campbell by Rosa Chá. A moda praia conquistaria espaço aliando-se à tecnologia para produzir tecidos melhores para os banhos de mar e de piscina. A partir da década de 1990 e ao longo dos anos 2000, tecnologias como laser e proteção contra raios ultravioleta foram incorporadas aos retalhos que conquistam páginas, passarelas e praias a cada verão.

Anos 2000

A  mistura de décadas e referências. Não existe mais fronteiras para a criatividade, diversos formatos, cores, estampas e tecidos, detalhes, bordados. A cada verão várias novidades e modelos. Os biquínis brincam com as cores (modelos monocromáticos ou multicoloridos, lisos ou estampados, listrados ou com as famosas bolinhas amarelinhas), com os formatos (modelos antigos como “engana mamãe”, tops “tomara que caia”, frente única e bojos aerodinâmicos dividem espaço com calcinhas despojadas estilo sunga e maiôs retrô) e com os detalhes (pingentes de strass, argolas metalizadas e babados românticos).


Na maré de criações inovadoras e cortes estilosos, o biquíni brasileiro realmente conquistou as passarelas internacionais com o toque sexy dos trópicos. Grifes como Cia Marítima, Lenny, Movimento, Rosa Chá e Salinas ganham posição de destaque. De lá para cá, as marcas buscam explorar as mais diferentes possibilidades nas criações contando com a ajuda das novas tecnologias em tecidos e acabamentos. O desafio agora é continuar surpreendendo a cada estação.
Desfile da Salinas durante o Fashion Rio - Verão 2011.
FOTOSITE

Desfile da grife Agua de Coco durante o SPFW Verão 2011.
FOTOSITE
Desfile da Cia Maritima durante o SPFW Verão 2011.
FOTOSITE

Comentários

Mensagens populares deste blogue

REGRESSO ÀS SANDÁLIAS

... neste dia quente de final de outubro as minhas queridas  Lollipops não podiam ficar em casa, certo? este verão tardio chama por sandálias a calçar os pés com unhas pintadas. Em modo PINK saímos hoje à rua, juntas e felizes !!!

reflexão

2020 virou-nos do avesso, mudou o paradigma mas trouxe-nos a inteligência da vida e a oportunidade de refletir sobre o que fazemos e porque fazemos.  Por medo, falta de coragem para não magoar os outros repetimos padrões e continuamos em relações e empregos onde não somos felizes e investimos dinheiro a comprar coisas que não precisamos. 2020 trouxe a oportunidade de nos conhecermos melhor e a aprendizagem para nos reinventarmos. 2020 convidou-me a quebrar padrões, deixar ir e soltar velhas crenças limitantes. 2020 obrigar-me resgatar o que interessa importa, filtrar o essencial, assumir o poder das escolhas e tomar como rédeas da própria vida 🎀 Grata 2020 💓