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PARÓDIAS : PAULA REGO e RAFAEL BORDALO PINHEIRO

Despertou-me a curiosidade esta exposição dedicada à obra de dois artistas distanciados por mais de um século. Qual o sentido de uma exposição coletiva?

A resposta veio ao visitar a exposição Paródias que inaugurou ontem, na casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. Ambos os artistas usam a produção artística, sobretudo a gráfica, como meio privilegiado de crítica sócio-política. Ao observar as obras expostas é evidente a existência de um diálogo entre as obras de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e Paula Rego (1935) que transmitem, a partir de uma observação atenta do quotidiano, uma visão crítica da vida e dos costumes portugueses na época em que se inserem, apesar da distância cronológica que os separa. Tanto em Bordalo Pinheiro, como em Paula Rego, a ópera e o teatro são dimensões artísticas frequentemente convocadas por ambos, sendo a vida e o palco objeto de dinâmicas trágico-cómicas entre personagens humanas animalizadas e animais humanizados. 

Os animais servem os dois artistas porque as emoções humanas são neles facilmente identificáveis por associações que vêm da cultura popular e que se estabelecem de imediato. Talvez essa seja a razão porque ambos de auto-retrataram em figuras de gatos. 

"Mas aquilo que imediatamente une os dois artista, separados por mais de um século e pelas características únicas da sua expressão individual, não são as temáticas que abordaram nem o modo como tecnicamente as desenvolveram.  O que as une é o inequívoco facto, de tanto Rafael Bordalo Pinheiro como Paula Rego, terem feito da sua produção artística um elemento diluidor das hierarquias e de diferenciação entre a arte erudita e a popular, sempre comunicante com o tempo presente através das sua vozes críticas, por vezes mordazes e socialmente interventivas." Curadora Catarina Alfaro

     Rafael Bordalo Pinheiro                                                          Paula Rego
     Depois das Eleições/After the Elections                                              O Fim da História/ The End of the Story/2007
     Litografia                                                                                                 Série o Vinho
                                                                                                                      Litografia
    
     Paula Rego
     Entre as Mulheres /Amongst 1997
     Série O Crime do Padre Amaro/ The Crime of Father Amaro series
    Pastel sobre papel montado em alumínio

No percurso inicial de Paula Rego é marcante a denúncia sócio-política. As obras concebidas, a partir dos anos 60, remetem para a situação política do país, comentando-a de forma sarcástica e crua. As inquietações políticas atravessam a obra da pintora neste período em particular, marcado pela ditadura, mas em todas as fases posteriores do seu trabalho essas reflexões estão presentes.

O olhar de Rafael Bordalo Pinheiro dirige-se quase sempre para a descrição visual, do traço homorístico, das peripécias políticas do seu tempo que, durante o constitucionalismo liberal dos anos 70 de 1800 e até aos primeiros anos de 1900, foram variadas e constantes e se publicaram os comentários políticos do artista noa vários jornais e álbuns de caricaturas que fundou e participou.

     Rafael Bordalo Pinhero
     Sem Máscaras/ No Masks
     Litografia 

A exposição fica patente até dia 12 de abril de 2015. 
Casa das Histórias Paula Rego
Av. da República, 300
2750-475 Cascais
+ 351 214 826 970
Horário
3ª feira a domingo, das 10h às 18h
Público Geral: 3€
Residentes 1.5€

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